quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fonoaudióloga comenta voz do lutador Anderson Silva

Vídeo da reportagem

Reportagem realizada pelo Fantástico.

A partir de quando ouvir música alta afeta a saúde auditiva?


Jovens com lesão auditiva semelhante à de um serralheiro que trabalha há 15 anos sem proteção

Não dá para negar, dependendo da situação, colocar o fone de ouvido e escutar uma música em alto e bom som é capaz de mudar até o humor. Entretanto, essa prática constante pode causar à vezes danos irreversíveis aos ouvidos – de zumbidos persistentes a graves perdas auditivas.

Para se ter uma ideia, ruídos de até 85 decibéis (o equivalente a um secador de cabelo) são tolerados pelo ouvido humano por oito horas seguidas de exposição. Já os barulhos superiores a 115 decibéis podem causar lesões em poucos minutos. E os fones de iPods e MP3 chegam a fazer o som alcançar 120 decibéis, pois o jogam direto na membrana timpânica, sem ter por onde dispersar.

O resultado? “Jovens com lesão auditiva semelhante à de um serralheiro que trabalha há 15 anos sem proteção”, adverte a otorrinolaringologista Mara Gândora, em entrevista à revista NOVA. Na maioria das vezes, no entanto, a alteração é leve, isto é, produz incapacidade de ouvir sussurros ao pé do ouvido ou água escorrendo na pia. Mas se nenhuma providência for tomada, o dano pode se agravar.

Por isso, fiquem atentos a três dicas e proteja-se:

- Regule a altura do seu tocador de música em até 50% do volume máximo.

- Observe se consegue escutar uma pessoa falando com você mesmo com o tocador ligado – sinal de que a altura é segura.

- Respeite o limite de oito horas diárias de exposição à música.
(Fonte: abril.com.br) 

Escutando pela primeira vez


O nome dele é Jonathan, nasceu surdo e só aos oito meses os pais conseguiram um Implante Coclear capaz de fazê-lo ouvir. O implante coclear é um dispositivo eletrônico que estimula eletricamente as fibras nervosas permitindo que um sinal elétrico seja transmitido ao nervo auditivo para ser decodificado pelo córtex cerebral.


"Nasci surda e há 8 semanas atrás eu recebi um implante auditivo. Este é o vídeo de quando eu pude me ouvir pela primeira vez."

Últimas informações sobre gagueira persistente e genética

Pesquisadores da Washington University School of Medicine em St. Louis mostraram que pelo menos alguns tipos de gagueira persistente são causados por mutações em um gene que regula não a fala em si, mas uma via metabólica envolvida na reciclagem de partes velhas das células.
O estudo fornece a primeira evidência de que mutações que afetam esses centros de reciclagem chamados lisossomos desempenham um papel na causa de alguns tipos de gagueira. Isso foi extremamente inesperado, diz o autor, Dr Stuart A. Kornfeld. Por que um comprometimento em uma via lisossomal levaria à gagueira? Nós não temos a resposta para isso. Em parte porque não sabemos muito sobre os mecanismos de fala, sobre quais os neurônios do cérebro estão envolvidos. Portanto, não podemos explicar completamente a gagueira, mas agora temos pistas.

Indícios genéticos para a gagueira foram primeiramente identificados e divulgados em um artigo publicado no New England Journal of Medicine, em fevereiro de 2010. Neste artigo, Dr Dennis Drayna, um investigador do Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios de Comunicação e coautor do estudo e seus colegas, relataram resultados de estudos genéticos sobre os membros de uma grande família paquistanesa, muitos dos quais gaguejavam. Entre a maioria das pessoas que gaguejavam nestas famílias, eles descobriram mutações em três genes envolvidos em mandar as proteínas para o lisossoma. Estas mesmas mutações também foram encontradas no Paquistão, na América do Norte e na Europa, em muitos indivíduos que gaguejam não aparentados. Todavia, não estavam presentes nos que tinham fala fluente.

Eles encontraram mutações em três genes que codificam um caminho para mandar enzimas lisossomais recém-feitas para os lisossomos, que era um caminho que tínhamos descoberto anos atrás, diz Kornfeld. Até agora, um dos três genes, o NAGPA, não tinha sido implicado em qualquer distúrbio humano. Este foi o lugar onde o Dr Kornfeld e o Dr Wang Lee-Sik, professor de pesquisa em medicina na Universidade de Washington, escolheram para começar a investigação bioquímica das mutações que o grupo de Drayna havia identificado.

O NAGPA codifica uma enzima responsável pelo último passo no direcionamento dessas proteínas para o lisossoma. O trabalho do Dr Drayna identificou três mutações distintas no NAGPA em indivíduos que gaguejam. E de acordo com a análise bioquímica de Lee, todas as três mutações prejudicam a enzima, mas cada uma o faz de uma maneira diferente. Em geral, as mutações no gene fazem com que a proteína resultante se configure num formato inadequado. Estas proteínas mal formadas são identificadas e destruídas.

Neste caso, a análise bioquímica feita por Lee mostra que duas mutações parecem aprisionar as proteínas no centro de fabricação de proteínas da célula, apesar de algumas conseguirem sair antes de serem destruídas. Não é uma coisa de tudo ou nada, diz Kornfeld. O material que consegue sair tem sua atividade normal. Mas a terceira mutação causa um problema maior na forma e as proteínas são destruídas poucos minutos depois de terem sido produzidas.

Tais achados oferecem um vislumbre de possíveis futuras terapias para a gagueira. Pelo menos para duas das mutações, o problema não é que a proteína não pode ser reciclada, mas sim que ela não pode sair do centro de produção de proteínas e ir para o lisossoma. Se algo pode ser encontrado que ajude a proteína a escapar, o trabalho de Lee sugere que ela iria funcionar normalmente. Kornfeld adverte, no entanto, que este tipo de terapia para a gagueira ainda está muito longe de ser obtida.

Há bilhões de neurônios no cérebro, e ainda temos pouco conhecimento sobre quais deles estão envolvidos especificamente na fala, diz ele. Nossa principal descoberta é que essas três mutações em NAGPA nas pessoas com gagueira persistente têm efeitos nocivos. Esta é uma evidência bioquímica de que estas mutações são significativas, e não são apenas marcadores de alguma outra alteração genética que poderia ser a causa real.

Tendo descrito as três mutações prejudiciais no NAGPA, o grupo de Kornfeld está agora realizando análises bioquímicas sobre os outros dois genes mutantes que o grupo de Drayna identificou - o GNPTAB e o GNPTG. Drayna e seus colegas estimam que esses três genes mutantes são responsáveis por apenas uns 10% das pessoas que gaguejam que tem história familial positiva. Assim, eles continuam na busca de outros genes que sejam responsáveis pela gagueira.

A gagueira é um distúrbio extremamente difícil de estudar. Ele só ocorre em vigília, e seus portadores se comportam de forma normal. Provavelmente as origens da gagueira estão no cérebro, que é inacessível para os estudos diretos, diz Dr Drayna. O fato de a genética desempenhar um papel na gagueira nos dá um dos poucos caminhos disponíveis para estudar este distúrbio, com a vantagem de que os estudos genéticos podem levar-nos para as células e moléculas que estão envolvidas.

Estudos até a presente data têm identificado mutações em três genes relacionados, chamados GNPTAB, GNPTG, e NAGPA, que explicam cerca de10% de gagueiras persistentes em famílias. Várias linhas de investigação estão sendo seguidas para descobrir exatamente como esses genes variantes provocam gagueira. Em resumo, estudos bioquímicos das enzimas codificadas por estes genes mostram que as mutações levam a uma perda parcial da função da enzima, aparentemente o suficiente para causar algum tipo de dano a um determinado conjunto de células nervosas do cérebro, mas não tanto como para causar sintomas mais graves.

Em outra linha de investigação, Dr. Drayna e outros pesquisadores estão estudando quais as células dentro do cérebro humano ligam estes 3 genes aos níveis mais altos, porque estas células são boas candidatas para aquelas que estão danificadas ou prejudicadas por estas mutações. E em ainda outra linha de pesquisa, Dr. Drayna e seus co-investigadores estão colocando estas mutações em ratinhos e medindo suas vocalizações (que são em grande parte de ultra-sons), num esforço para desenvolver um modelo de rato com gagueira que poderia ser usado para uma grande variedade de estudos.

“Quando comecei a pesquisar sobre gagueira, em 1996, meu objetivo foi trazer esse transtorno para o mundo maior de pesquisa biomédica. Eu tinha uma forte tendência de entender gagueira como um distúrbio biológico, ao invés de um distúrbio psicológico ou social. Nós temos tido a sorte de identificar vários genes causadores que reforçam esse ponto de vista, embora ainda tenhamos um longo caminho a percorrer para explicar tudo da gagueira. Outros estudos em famílias com histórico de gagueira estão identificando a localização de diversos genes que causam gagueira. Esperamos que essa identificação possa fornecer mais luzes sobre a causa da gagueira na população em geral. Uma das maiores influências sobre o meu pensamento veio do que aprendi com os que gaguejam. Isso me permitiu ver o impacto da gagueira na vida diária das pessoas. Isso me permitiu perceber a gravidade do distúrbio, e me possibilitou defender um programa de pesquisa biomédica para enfrentá-lo.” , disse Drayna.

A ciência pode ser um processo irritantemente lenta e incerta, com muitos becos sem saída e poucos mas preciosos sucessos, Drayna disse. Além disso,compreender as causas subjacentes da gagueira pode ser um longo caminho até encontrarmos novos tratamentos para o transtorno. Mas sem pesquisa, ficamos só com a especulação e os mal-entendidos. A causa da gagueira merece mais.

(Fonte: Stuttering Foundation of America - Newsletter - Winter 201
http://www.stutteringhelp.org/default.aspx?tabindex=932&tabid=945)

Tradução: Dra Fga Anelise Junqueira Bohnen, CRFa 5587/RS - Presidente do Instituto Brasileiro de Fluência – IBF

Em Mato Grosso do Sul, gagos têm desconto no celular



A falta de definição sobre regras nacionais na telefonia gerou pelo menos um caso inusitado, no Estado de Mato Grosso do Sul: desde 2009, uma lei estadual exige desconto de 50% nas tarifas de telefone celular "aos cidadãos portadores de distúrbios na fluência e temporalização da fala". Ou seja: os gagos pagam metade da conta do celular por levar mais tempo para falar o mesmo que outras pessoas.

A legislação foi apelidada pelo setor de telefonia móvel como "Lei do Gago" e vem sendo questionada na Justiça pelas operadoras de telefonia, que reclamam da dificuldade de fiscalização desse benefício.

De acordo com o texto da lei estadual, o desconto na conta dos telefones celulares vale para quem "apresentar avaliação efetuada por fonoaudiólogo especializado em fluência, comprovando a sua condição".

A legislação sul mato-grossense também determina que as operadoras devem instalar nos telefones "bloqueadores visando a não utilização indevida", algo que as empresas dizem ser impossível de fazer.

A Associação Brasileira de Gagueira aprovou a legislação adotada em Mato Grosso do Sul, segundo nota publicada na sua página na internet. Até o fechamento desta edição, porém, não houve resposta aos pedidos de contato enviados pela reportagem por e-mail. O site da associação não informa número de telefone para contato. Segundo dados divulgados no site da Associação, no Brasil, são 2 milhões de gagos, sendo 20 mil pessoas portadores de deficiência na fala em Mato Grosso do Sul. 

Insegurança
Organizações de gagos no Reino Unido e nos Estados Unidos, bem como a associação brasileira, citam medo e insegurança de pessoas com gagueira em relação ao uso do telefone, e oferecem dicas para lidar com isso. Segundo o Instituto Brasileiro de Gagueira, esse tipo de distúrbio na fala é um sintoma, e não uma doença. / I.D.

(Fonte: O Estado de S.Paulo - 22 de fevereiro de 2012)